segunda-feira, 28 de junho de 2010

Copa 2014 enche a bola dos setores do turismo e da hotelaria

Um estudo fruto da parceria do Ministério do Turismo com a Fundação Getúlio Vargas denominada 6ª Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo (PACET), aponta que o investimento em infraestrutura turística, ao longo dos últimos anos, cresceu 52 vezes. Representava R$ 52,8 milhões, em 2003, passando para R$ 1,7 bilhão, no ano passado. Em 2010, serão R$ 2,72 bilhões.

O turismo e, em especial a hotelaria, está ansiosa. Além da aprovação de R$ 2,72 bilhões no Orçamento Geral da União (OGU) para infraestrutura turística em 2010, há os investimentos financiados pelo Prodetur, linha de crédito do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Corporação Andina de Fomento (CAF), para que Estados e municípios possam aplicar em infraestrutura turística.

Para a construção de novos hotéis, ampliação e reforma dos já existentes, o Ministério do Turismo, em parceria com os bancos públicos, lançou linhas de crédito que totalizam R$ 1,8 bilhão. Somente a linha do BNDES, chamada BNDES ProCopa Turismo, tem inicialmente a verba de R$ 1 bilhão para os hotéis.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento Brasil da rede Accor, Abel Castro, só este ano a rede tem uma previsão de abertura de 3 mil novos apartamentos. “Somando-se as 12 cidades sedes da Copa, operamos hoje 73 hotéis das marcas Sofitel, Novotel, Mercure, Ibis e Formule 1. Temos ainda 25 hotéis em construção, que representam investimentos da ordem de R$ 480 milhões e outros 34 em negociação avançada com investidores”, disse ao DT. A rede planeja contar com 225 unidades hoteleiras no Brasil até 2015.

Para Ricardo Manarini, gerente de Desenvolvimento da rede InterContinental Hotels Group (IHG), até 2020, a rede IHG quer administrar ou franquear mais 50 hotéis no Brasil – hoje são 13. “Para isso, o grupo pretende obter R$ 1,2 bilhão com fundos de investimentos e de pensão. Deste total, R$ 750 milhões devem ser destinados ao Brasil”, disse por e-mail ao Diário. “A nossa companhia está alinhada com um crescimento constante. Somos a companhia hoteleira que mais cresceu nos últimos anos, e as projeções e números do nosso pipeline para os próximos anos são ótimas. A América Latina não é diferente, e dentro desta região, o Brasil é o país que, sem dúvida, oferece mais possibilidades”, afirmou.

Burocracia – Setores da hotelaria, porém, defendem que há muita burocracia na captação dos recursos do BNDES. Para Eraldo Santanna, diretor de Expansão do grupo Slaviero, sua rede está propondo fazer a captação desses recursos.

“Adquirimos este expertise desenvolvendo trabalhos específicos nesta modalidade. Sabemos o quão burocrático é conseguir captar estes recursos, mas com projetos bem fundamentados, estudos de viabilidades corretos e traduzindo tudo isto para a linguagem do analista de crédito que faz a leitura e liberação, existem mais probabilidades de se conseguir”, afirmou ao Diário.

Segundo Eraldo, sua proposta é exatamente atuar em todas as fases do processo, como facilitadores, agindo junto a parceiros e interagindo com o investidor principal.

A rede Slaviero tem hoje 16 unidades e até o fim do ano pretende inaugurar mais três. “Para a Copa de 2014, acreditamos que teremos um incremento de 100% de nossa disponibilidade atual”, afirmou.

De acordo com dados da Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo (PACET), para este ano, a expectativa dos empresários do turismo em geral é de aumento de 14,6% no faturamento do setor de turismo em relação a 2009, segundo pesquisa realizada com 80 principais empresas de turismo no país, de diferentes segmentos, que respondem por um faturamento de R$ 35 bilhões e empregam cerca de 85 mil profissionais. Até a Copa, esses percentuais crescerão, em média, 6% ao ano, prevê a pesquisa.

Ou seja, chega-se à Copa 2014 com a bola cheia.

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